novembro 02, 2008

Livro de Graça Alves


A autora e a Dra Cristina Gouveia da Alzheimer Madeira
foto da Revista Saber, Outubro 2008


A Professora e escritora Graça Alves apresentou recentemente, na Fnac-Madeira, o seu livro "Um Pingo de Sol na Areia", editado pela Câmara Municipal do Porto Santo e ao qual foi atribuido o Prémio Literário Professor Francisco de Freitas Branco 2007/2008.

Generosamente, a autora oferecerá uma percentagem dos lucros de venda da obra à Associação Alzheimer Madeira.

Trata-se de um conto extenso, intenso e quase poético, centrado numa história de amor vivida na juventude, na Ilha do Porto Santo, mas só retomada na idade 'madura'. Ele sofre então de Alzheimer e ela procura, voltando à Ilha, estimular-lhe a memória e reavivar a esperança.

"Ele dormiu a noite inteira. Eu ainda tive de dar tempo à pastilhinha cor-de-rosa de todas as noites. Tínhamos voltado ao Porto Santo. Outra vez. Pela última vez. Eu tinha trazido tudo: as fotografias, os diários, os sinais, as lembranças. Tinha trazido todo o amor que lhe guardava desde o tempo em que Deus disse - ele é teu. e eu fiquei à espera. O dia acordou tarde. Era sábado e eu tinha na boca o gosto amargo do desalento. Tinha-lhe falado do passado, tinha-lhe mostrado as fotografias a preto e branco de um tempo em que cada momento tinha as cores dos cardeais que se penduravam nos balcões e nos alpendres das casas.
No tempo das cores, nós tinhamos a juventude a correr, louca, pelas nossas veias. Agora, uma praga tinha tomado conta da vida do Jota e eu tinha a minha esperança no limite."

Para quem, como Graça Alves, afirma nunca ter vivido a experiência de contacto com a Doença de Alzheimer, é admirável a sensibilidade e veracidade com que sente os problemas que esta situação acarreta, não apenas para a pessoa doente mas, muito especialmente, para o seu cuidador, para a pessoa que o acompanha mais de perto.

Uma leitura que se recomenda.

4 comentários:

Tertuliante disse...

Adorei ler o Pingo de Sol na Areia, um conto que nos fáz viajar pela ilha dourada, Porto Santo. Uma linda história de amor que envolve a doença de Alzheimer e a descreve na sua triste realidade.
Parabéns Prof. Graça Alves.
Beijinho
Gilberta

Emília disse...

Também gostei muito do Conto da Dra Graça Alves. Foi generoso, da parte dela, oferecer á Associação parte dos lucros. Mostrou ser uma pessoa solidária e conhecer a realidade da Doença de Alzheimer. Hoje em dia as pessoas estão mais atentas e informadas a este respeito e, para tal, o trabalho da Associação certamente contribuiu.
Agradeço a sua visita a este espaço, algo negligenciado por contingências da minha vida. Ajudo a cuidar de uma Pessoa com Alzheimer, como saberá, e essa missão ocupa uma boa parte do meu tempo e do da minha família.
Volte sempre.

Tertuliante disse...

A informação escrita é, e será sempre, um dos elos fundamentais para divulgar o que queremos que seja divulgado. Nesta perspectiva é muito frutífero haver romances, que incluam os problemas que mais afetam a nossa sociedade.
A doença de Alzheimer é um deles.
Temos que divulgar, para ensinar e ajudar, só assim é que teremos um diagnóstico mais precoce.
A nossa polulação torna-se mais esclarecida e exigente, contribuindo desta forma para ajudar as pessoas, no início da doença.
Ajudar o não evoluir da doença retardando o avançar galopante da mesma é fundamental.
A estimulação cognitiva adaptada á pessoa em questão, é o passo crucial.
Precisamos de um centro especializado para estimular/cuidar dos nossos doentes com Alzheimer, na RAM.
Alzheimer não é senilidade.
Alzheimer não é velhice.
Alzheimer não é "loucura".
Mas sim, uma demência que nos pode bater á porta a qualquer momento.
Simplesmente deixamos de existir.
Obrigada Drª Emília por tudo o que tem feito.
É tempo de agirmos.
Gilberta

Emília disse...

Obrigada, uma vez mais, EnfªGilberta.(julgo que é enfermeira, não é assim? peço desculpa da não certeza, por falta de conhecimento pessoal).
Eu nada mais fiz do que ajudar a cuidar do meu Sogro e agora da minha Cunhada, ambos'devastados' pela Doença de Alzheimer.À nossa família 'bateu-nos à porta' já por três vezes ( um irmão do meu Sogro, q vivia em Lisboa, tinha como seu Médico o Sr. Dr Carlos Garcia, de saudosa memória, fundador da Associação).
os meus Familiares 'não deixaram de existir'(não sei se percebi bem as suas palavras). Sentiram sempre o carinho e a presença dos seus entes queridos. Pena é que, quando eram úteis, tivessem tido tantos amigos, e depois fossem esquecidos por tantos, como se 'já não existissem'. Lamentável a atitude dos outros. Eles, foram sempre os mesmos, até ao fim.Doentes, mas eles próprios. Com a mesma dignidade, ainda q precisando mais de nós do q seria o habitual.